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Manananggal: a mulher que se parte ao meio

Se o torso não conseguir se recompor antes do nascer do sol...

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Por Guardião do Estronho 13 de fevereiro, 2026
<p>Manananggal: a mulher que se parte ao meio</p>
Manananggal Gian Bernal (Creative Commons CC0 1.0)

Manananggal é uma das criaturas mais perturbadoras do folclore filipino. Figura recorrente em narrativas rurais, ele é especialmente temido nas regiões das Visayas, com forte presença nas províncias de Capiz e Iloilo. Diferente do vampiro europeu clássico, o Manananggal não se oculta em caixões: ele se divide ao meio para caçar durante a noite.

Seu nome deriva do verbo tagalo tanggal, que significa “separar” ou “remover”, referência direta à sua característica mais grotesca.


Origens e contexto cultural

As raízes do Manananggal são pré-coloniais, ligadas ao animismo indígena filipino, onde espíritos noturnos e entidades devoradoras já faziam parte do imaginário local. Com a chegada dos espanhóis no século XVI, essas crenças foram reinterpretadas sob a ótica cristã.

Crônicas coloniais e relatos missionários dos séculos XVII e XVIII descrevem ataques noturnos atribuídos a “bruxas”, “demônios” ou “mulheres possuídas”, associando a criatura ao pecado, à heresia e à sexualidade desviada. Assim, o Manananggal passou a ocupar o mesmo espaço simbólico que as brujas europeias: uma ameaça feminina, noturna e invisível à ordem religiosa.


Aparência e transformação

Durante o dia, o Manananggal é descrito como uma mulher aparentemente comum, muitas vezes bela e discreta. Ao anoitecer, em locais isolados, ocorre a transformação:

  • o corpo se separa na altura da cintura;
  • o torso superior desenvolve asas semelhantes às de morcego;
  • vísceras e intestinos ficam pendentes;
  • a metade inferior permanece escondida, imóvel.

Já em voo, a criatura emite um som característico, descrito como “tik-tik”. Curiosamente, no folclore local, quanto mais fraco o som, mais próxima a criatura está — um detalhe que aumenta o pavor da aproximação silenciosa.


Ataques e comportamento predatório

Manananggal é uma predadora especializada. Seus alvos preferenciais são: mulheres grávidas, recém-nascidos e pessoas doentes ou adormecidas.

Utiliza uma língua longa, fina e tubular, semelhante a uma 1, para perfurar o umbigo ou a garganta da vítima. Segundo o folclore, ela suga sangue, vísceras ou até mesmo fetos, sendo responsabilizada, em narrativas populares, por abortos inexplicáveis e mortes infantis em vilas isoladas.

Esses relatos refletem medos reais ligados à mortalidade materna, doenças noturnas e perdas gestacionais, comuns em comunidades rurais sem acesso à medicina.


Proteções e formas de defesa

O folclore filipino descreve diversas formas de se proteger do Manananggal, quase sempre focadas em impedir que ele reconecte as duas metades do corpo antes do amanhecer:

  • espalhar sal, alho, cinzas, vinagre ou espinhos de bambu sobre a parte inferior;
  • manter luzes acesas durante a noite;
  • rezas católicas combinadas com amuletos tradicionais.

Se o torso não conseguir se recompor antes do nascer do sol, a criatura morre.


Relatos, lendas e limites históricos

Apesar de histórias populares falarem em “caçadas” ou mortes reais de Manananggal — especialmente em regiões como Siquijor — não há registros históricos ou policiais confiáveis que confirmem esses eventos. Esses episódios pertencem ao campo da tradição oral e do folclore moderno, não da documentação factual.

Ainda assim, a persistência dessas narrativas mostra o quanto a figura permanece viva no imaginário coletivo filipino.


Significado simbólico

Manananggal concentra múltiplos medos sociais: a vulnerabilidade da gravidez, a ameaça invisível da noite, o medo do feminino transgressor, a fusão entre crença indígena e moral cristã.

Não é apenas um monstro: é uma figura de controle social, usada para explicar tragédias e impor vigilância sobre corpos e comportamentos.



Fontes de pesquisa: PuertoParrot.comMythicalCreatures.infoParanormalPOV.com, Philippine Tales

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Sou o Guardião do Estronho. Vigio o que não se encaixa, preservo o que incomoda, observo o que prefere permanecer à margem. Se quiser saber por que faço isso, minha história está à sua espera