O seriado é baseado no personagem Nick Carter, criado por Ormond G. Smith
, filho de um dos fundadores da Street & Smith Publications. A editora era responsável pela New York Weekly, uma espécie de revista literária que circulou entre os anos de 1846 e 19151, local onde o personagem apareceu pela primeira vez. Em 1903, ele ganhou sua primeira publicação solo, a Nick Carter Weekly, pela mesma editora.
Apesar da criação ser de Ormond G. Smith, as aventuras do detetive ao longo dos anos foram escritas por vários autores que utilizavam os pseudônimos de Nicolas Carter e Sargento Ryan. Entre eles: John R. Coryell
(o primeiro a escrever suas histórias), Frederick Van Rensselaer Dey, Thomas C. Harbaugh, George C. Jenks, Eugene T. Sawyer, Charles Westerbrook e Richard Edward Wormser.
No livro Nick Carter: o maior detetive da América – volume 9: A prisão no fundo do lago e Atentado a dinamite (Editora Ediouro, 1984), o prefaciador, Assis Brasil, descreve o detetive da seguinte forma:
“Nick Carter se inscreve na galeria dos grandes personagens do romance policial. Ele, norte-americano de nascimento, é tão famoso quanto o inglês Sherlock Holmes. Há mesmo quem diga que Nick Carter foi criado como uma resposta do Novo Mundo ao detetive imaginado por Conan Doyle. Embora ambos tenham a mesma grande capacidade dedutiva, qualidade indispensável para desvendar um crime, Nick Carter leva uma vantagem sobre Sherlock Holmes: possui uma força descomunal e muita habilidade para se defender em lutas de qualquer tipo. Outra qualidade marcante de Nick Carter é o disfarce, um dos detalhes que mais apaixonam em suas aventuras (...) Era o mestre do disfarce...”
Ou seja, era um personagem perfeito para o cinema. Tanto foi assim, que o detetive ganharia dezenas de produções nas telonas, sem falar do rádio e dos quadrinhos. Mas foi na França, em 1908, que ele foi para as telas pela primeira vez.
A adaptação francesa de 1908 foi produzida pela Société Française des Films Éclair, uma das companhias mais importantes do cinema primitivo europeu, e dirigida por Victorin-Hippolyte Jasset
, cineasta associado à consolidação do filme policial seriado. A produção aproveitou a estrutura episódica já consagrada nos folhetins impressos, com histórias divididas em capítulos independentes, mas conectados por personagens recorrentes e situações de suspense.
Cada episódio apresentava investigações, perseguições e armadilhas, explorando cenários urbanos reais e um ritmo narrativo ágil, características que ajudaram a estabelecer convenções fundamentais do gênero policial no cinema. O seriado de Nick Carter é hoje considerado um dos marcos iniciais do formato seriado cinematográfico, antecipando práticas narrativas que se tornariam comuns nas décadas seguintes.
Além de interpretar o detetive Nick Carter em outras produções, Pierre Bressol
(1874-1925) viveria mais um detetive famoso, Nat Pinkerton, em outra série para o cinema. Bressol atuou em pelo menos 67 produções até 1924; dirigiu 49 filmes e escreveu cinco.
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| FICHA TÉCNICA | ||||
|---|---|---|---|---|
| No Brasil: Nick Carter: o rei dos agentes de polícia | ||||
| Gênero: Policial | ||||
| Nº de episódios: 6 | ||||
| Produtora: Société Française des Films Éclair | ||||
| Primeira Exibição: 08 de setembro de 1908 (França); 3 de novembro de 1908 (Brasil) | ||||
| Cor e som: Preto e branco; mudo (intertítulos em francês) | ||||
| Elenco: Pierre Bressol (Nick Carter) | ||||
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| EPISÓDIOS | |||
|---|---|---|---|
| Nº | Título Original | Data | Direção |
| 01 | Le guet-apens | 08/09/1908 | Victorin-Hippolyte Jasset |
| 02 | L'affaire des bijoux | 22/09/1908 | Victorin-Hippolyte Jasset |
| 03 | Les faux monnayeurs | 06/10/1908 | Victorin-Hippolyte Jasset |
| 04 | Les dévaliseurs de banque | 20/10/1908 | Victorin-Hippolyte Jasset |
| 05 | Les empreintes | 27/10/1908 | Victorin-Hippolyte Jasset |
| 06 | Les bandits en noir | 15/11/1908 | Victorin-Hippolyte Jasset |
Fontes de pesquisa: University of California Libraries; Cinémathèque Française; iMDB; Nick Carter: o maior detetive da América – volume 9: A prisão no fundo do lago e Atentado a dinamite (Editora Ediouro, 1984)
