Chegamos a 1914, ano que marca o início da Primeira Guerra Mundial e uma virada decisiva para a história do cinema. Em boa parte da Europa, o conflito provocou a interrupção ou a redução drástica das atividades de muitos estúdios. Faltavam recursos, mão de obra e condições econômicas mínimas para manter uma produção regular. França, Alemanha e Reino Unido sentiram fortemente esse impacto, com uma queda perceptível na produção cinematográfica — ainda que, surpreendentemente, o número de obras lançadas continuasse relevante.
Do outro lado do Atlântico, o cenário era outro. Os Estados Unidos, que só entrariam oficialmente na guerra em 1917, viram sua indústria cinematográfica seguir em expansão. Esse descompasso foi fundamental para que Hollywood começasse a se consolidar como o principal centro produtor de cinema no mundo, ocupando o espaço deixado pela retração europeia e fortalecendo uma estrutura industrial que se tornaria dominante nas décadas seguintes.
Vale repetir o que já foi dito no primeiro artigo desta série: não há como selecionar todos os cartazes de todos os filmes lançados, especialmente a partir deste período, quando a produção cinematográfica cresce de forma expressiva, apesar das dificuldades impostas pela guerra. A seleção apresentada aqui é fruto de uma pesquisa amadora, porém dedicada, guiada não apenas pela importância histórica dos filmes, mas também pela beleza, estranheza ou curiosidade gráfica de alguns cartazes.
Abrimos com Engelein, de Urban Gad
, estrelado por Asta Nielsen
— atriz sobre a qual falaremos com mais calma na série Estrelas do Cinema Mudo. A autoria costuma ser atribuída a Ludwig Kainer
, embora outros trabalhos do artista apresentem uma estética mais claramente impressionista.
A arte de Der Golem, de Henrik Galeen
e Paul Wegener
, não é propriamente um cartaz, mas um anúncio de revista. Ainda assim, a inclusão se justifica pelo impacto visual e pelo layout, que dialoga com outras peças promocionais do período. O mesmo vale para outros anúncios, como o de The Eagle’s Mate, dirigido por James Kirkwood
e estrelado por Mary Pickford
.
Há também exemplos de um tipo específico de cartaz bastante comum na época: aqueles deixados propositalmente com espaços em branco para o carimbo do cinema ou teatro e a data da exibição. Um bom exemplo é o cartaz de Rose of the Rancho, de Cecil B. DeMille
, estrelado por Bessie Barriscale
.
Quase ao final da seleção, encontramos o cartaz de Gertie, the Dinosaur, criação e direção de Winsor McCay
. Costuma-se ler por aí que se trata da primeira animação da história, o que não é verdade. O próprio McCay já havia realizado animações antes, assim como Stuart Blackton
e Émile Cohl
, que experimentavam com imagens animadas desde os anos anteriores. Ainda assim, Gertie foi um marco — não por ser a primeira, mas por cativar o público e demonstrar o potencial expressivo da animação como espetáculo.
Seguimos, então, com mais algumas dezenas de cartazes lançados ao longo de 1914.
Fontes de pesquisa: Archiv für Filmposter, iMDB, Wikimedia Commons, Cine Ressources, TMDB, Movie Posters