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Além da Cena

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Cartazes de 1910 a 1912

Entram em cena documentário e lobby cards

Por Marcelo D. Amado 13 de janeiro, 2026
<p>Cartazes de 1910 a 1912</p>
Recorte do pôster de How Betty Won the School (1912)

Aos poucos, produtores de curtas, médias e longas-metragens passaram a compreender a importância dos cartazes na divulgação de suas obras. Veremos exemplos que vão dos mais simples — como o cartaz do curta Frankenstein (1910, J. Searle Dawley), produzido pela Edison Studios e distribuído pela Edison Manufacturing Company — até trabalhos que, se retirarmos a tipografia, poderiam facilmente ser confundidos com pinturas dignas de destaque em um museu de arte.

Em alguns casos, a necessidade de divulgar vários lançamentos simultaneamente acabava sacrificando um pouco o apuro artístico. Ainda assim, essa limitação estimulava soluções criativas no design de cartazes que promoviam cinco, seis ou até dez títulos ao mesmo tempo, já instigando o público a acompanhar as datas de estreia. Um bom exemplo disso pode ser visto na galeria abaixo, no anúncio de 1911 da Vitagraph, que convidava o público para os próximos lançamentos da companhia.

Outros países, além da França e dos Estados Unidos, também começam a investir no cinema e, naturalmente, recorrem aos cartazes como ferramenta de atração do público. É o caso da produção italiana L’Inferno (1911, Giuseppe de Liguoro, Adolfo Padovan, Francesco Bertolini) ou do filme alemão Das Mädchen ohne Vaterland (1912, Urban Gad), cujo pôster é assinado por Ernst Dryden, ilustrador germano-americano.

Os documentários igualmente entram nessa onda de divulgação por meio de cartazes mais elaborados, como ocorre em Cannibals of the South Seas (1912, Martin E. Johnson, Osa Johnson). É também nesse período que surgem os lobby cards, um tipo de pequeno pôster geralmente exposto no lobby (saguão) dos cinemas — daí o nome —, que podia apresentar cenas dos filmes, reproduções reduzidas dos cartazes ou fotografias e ilustrações das estrelas. Um exemplo é o lobby card com a atriz Mary Pickford para o filme The Informer (1912, D. W. Griffith).




Fontes de pesquisa: Pixarprinting, MutualArt, iMDB, Wikimedia Commons, Cine Ressources, Warner Bros. Entertainement Wiki, Archiv fün Filmposter

Marcelo D. Amado

Marcelo D. Amado

Criador do Estronho em 1996, um dos fundadores da Editora Estronho em 2011. Coordenou e editou inúmeros livros sobre cinema e tv. É escritor, autor de Ele tem o sopro do Diabo nos pulmões e outros títulos. Atualmente trabalhando como Dev Sênior na Vintage Words Studio.