Estronho e esquésito

cinema, literatura e estranhezas


Cinema Mudo

Houve um tempo em que o cinema se expressava por olhares exagerados, gestos largos, intertítulos carregados de drama e risadas que surgiam sem aviso. Esta seção propõe um retorno a esse período, reunindo textos que percorrem diferentes caminhos do cinema mudo.

A série Maratona Silenciosa é dedicada aos seriados cinematográficos, enquanto Os Primórdios do Horror investiga os primeiros curtas e longas que ajudaram a moldar o horror nascido ainda sob a estética do silêncio. Já Estrelas do Cinema Mudo revisita atores e atrizes que marcaram a época pela presença, expressividade e impacto que tiveram na consolidação dessa linguagem.

<p>9 — Docteur Phantom (1910)</p>

Maratona Silenciosa

9 — Docteur Phantom (1910)

Há muito pouco ─ para não dizer quase nada ─ de informações disponíveis a respeito da série, mas há menções de que tenha sido mais uma a pegar carona no sucesso de Nick Carter, e sob o comando do mesmo diretor. Não há informações nem mesmo na Cinematheque Française, que tem o maior acervo de informações sobre filmes dessa época. Apenas a lista de episódios e poucos detalhes técnicos são encontrados

Por Marcelo D. Amado 16 de fevereiro, 2026

<p>2 — <i>Shinin no Sosei </i>e <i>Bake Jizō</i> (1898)</p>

Os Primórdios do Horror

2 — Shinin no Sosei e Bake Jizō (1898)

Quando o cinema ainda buscava suas primeiras formas narrativas, o contato com a morte, o sobrenatural e o grotesco surgiu quase de imediato. Corpos que se movem após o fim, objetos religiosos que desafiam sua função simbólica, figuras familiares transformadas em ameaça — tudo isso já aparecia nas telas nos anos finais do século XIX. Nesse cenário de experimentação técnica e imaginação livre, alguns dos registros mais antigos do cinema mudo revelam um interesse precoce pelo estranho, pelo macabro e pelo desconforto, mesmo quando tratados com humor ou simplicidade narrativa

Por Marcelo D. Amado 13 de fevereiro, 2026

<p>Pola Negri</p>

Estrelas do Cinema Mudo

Pola Negri

Pola Negri, nascida Apolonia Chałupiec em Lipno, Polônia, em 3 de janeiro de 1897, foi a tradução da sofisticação europeia no cinema mudo. Diferente das estrelas fabricadas pelos estúdios, ela chegou aos Estados Unidos com uma bagagem artística sólida, formada pela disciplina rigorosa do ballet clássico e do teatro polonês. Com suas sobrancelhas marcadas, as unhas pintadas de vermelho e um magnetismo que preenchia cada centímetro da tela.

Por Marcelo D. Amado 12 de fevereiro, 2026

8 — <i>Lieutenant Rose</i> (1910)

Maratona Silenciosa
8 — Lieutenant Rose (1910)

A série foi encomendada em 1910 pela Clarendon Film Company para capitalizar a crescente popularidade das narrativas de aventuras navais, impulsionada pelo fervor patriótico pré-Primeira Guerra Mundial e pelos temores contemporâneos de espionagem na Grã-Bretanha, com inspiração extraída de romances baratos que retratavam espionagem imperial e heroísmo.

Por Marcelo D. Amado 09 de fevereiro, 2026

<p>Asta Nielsen</p>

Estrelas do Cinema Mudo

Asta Nielsen

Se hoje estamos acostumados com atuações sutis, onde um olhar diz mais que mil palavras, devemos agradecer a uma dinamarquesa de olhos magnéticos e rosto expressivo chamada Asta Nielsen. Antes dela, o cinema era basicamente teatro filmado, com gestos exagerados e braços ao vento. Asta chegou e mudou o jogo, tornando-se a primeira estrela verdadeiramente global e ganhando o apelido carinhoso de Die Asta.

Por Marcelo D. Amado 05 de fevereiro, 2026

7 — <i>Meskal le contrebandier </i>&nbsp;e <i>Le vautour de la siria </i>(1909)

Maratona Silenciosa
7 — Meskal le contrebandier  e Le vautour de la siria (1909)

Vale destacar  a série baseada nos livros de Georges Clavigny e a participação de Joë Hamman, ator, diretor e ilustrador, considerado um dos pioneiros do western francês, ao lado do já citado Victorin-Hippolyte Jasset com sua a produção de Riffle Bill, le roi de la prairie (1908), que já vimos por aqui.

Por Marcelo D. Amado 02 de fevereiro, 2026

<p>1 — Introdução: antes dos monstros, o assombro</p>

Os Primórdios do Horror

1 — Introdução: antes dos monstros, o assombro

O horror no cinema não nasceu com vampiros consagrados ou criaturas de borracha maquiadas. Ele veio antes disso — cru, experimental, muitas vezes disfarçado de curiosidade, brincadeira visual ou simples truque de feira.

Nos primeiros anos do cinema, o medo não era um gênero. Era uma curiosidade... ou um efeito colateral.

Por Marcelo D. Amado 30 de janeiro, 2026

<p>Lillian Gish</p>

Estrelas do Cinema Mudo

Lillian Gish

Conhecida como a "Primeira Dama do Cinema Americano", Lillian Gish foi muito além da atuação, sendo pioneira em técnicas de interpretação e defensora ferrenha da preservação fílmica. Com uma carreira que atravessou sete décadas, desde os épicos de D.W. Griffith até produções modernas, ela consolidou seu legado como uma das figuras mais resilientes e influentes da história da sétima arte.

Por Marcelo D. Amado 26 de janeiro, 2026

6 — <i>Morgan, le pirate</i> (1909)

Maratona Silenciosa
6 — Morgan, le pirate (1909)

As aventuras do Pirata Morgan já eram contadas bem antes deste pequeno seriado de três capítulos. Sim, existiu realmente um corsário britânico, Henry Morgan, que ficou famoso por apavorar as águas do Caribe entre 1663 e 1671. Ele não se limitava a ataques por mar, fazendo com que seus homens caminhassem por quilômetros para invadir e saquear as cidades.
Por Marcelo D. Amado 26 de janeiro, 2026

5 — As continuações de <i>Nick Carter</i> (1909)

Maratona Silenciosa
5 — As continuações de Nick Carter (1909)

Ainda embalados pelo sucesso de Nick Carter, le roi des détectives (1908) e de seus outros seriados, os executivos da Éclair decidiram investir em mais uma produção estrelada pelo famoso detetive. Naquele momento, Nick Carter já era um personagem extremamente popular, vindo da literatura pulp e dos folhetins, e o cinema francês soube explorar muito bem essa fama.

Por Marcelo D. Amado 19 de janeiro, 2026

4 — <i>Dragonnades sous Louis XIV</i> (1909)

Maratona Silenciosa
4 — Dragonnades sous Louis XIV (1909)

Ainda com os pioneiros franceses, a terceira obra de nossa jornada pelos pioneiros dos seriados no cinema, na verdade, pode ser chamada de uma minissérie, uma vez que teve apenas dois episódios, mas ainda assim cabe dentro do nosso tema.

Por Marcelo D. Amado 12 de janeiro, 2026

3 — <i>Riffle Bill, le roi de la prairie</i> (1908)

Maratona Silenciosa
3 — Riffle Bill, le roi de la prairie (1908)

A série aproveitou a febre gerada pela turnê Buffalo Bill’s Wild West, que excursionou pela Europa entre 1902 e 1906. Na França, o espetáculo causou um impacto cultural tão profundo que o cinema sentiu a necessidade de replicar o gênero Western com uma sensibilidade europeia, criando o que historiadores chamam de "Western Camargue" ou "Western Francês".

Por Marcelo D. Amado 08 de janeiro, 2026