Estronho e esquésito

cinema, literatura e estranhezas


Cinema Mudo

Houve um tempo em que o cinema se expressava por olhares exagerados, gestos largos, intertítulos carregados de drama e risadas que surgiam sem aviso. Esta seção propõe um retorno a esse período, reunindo textos que percorrem diferentes caminhos do cinema mudo.

A série Maratona Silenciosa é dedicada aos seriados cinematográficos, enquanto Os Primórdios do Horror investiga os primeiros curtas e longas que ajudaram a moldar o horror nascido ainda sob a estética do silêncio. Já Estrelas do Cinema Mudo revisita atores e atrizes que marcaram a época pela presença, expressividade e impacto que tiveram na consolidação dessa linguagem.

<i>Lieutenant Daring </i>(1911)

Maratona Silenciosa
Lieutenant Daring (1911)

O Tenente Daring (Lieutenant Daring) surgiu em 1911, produzido pela British and Colonial Kinematograph, para rivalizar com o sucesso de Lieutenant Rose (da Clarendon Films) ─ claramente uma cópia descarada. Embora compartilhassem a patente naval, Daring diferenciava-se pelo vigor físico e pelas sequências de ação acrobática, enquanto o Tenente Rose era mais cerebral, e focado em mistérios.

Por Marcelo Amado 09 de março, 2026

<p><i>Momijigari </i>e <i>Ninin Dōjōji</i> (1899)</p>

Os Primórdios do Horror

Momijigari e Ninin Dōjōji (1899)

Enquanto o cinema europeu inicial brincava com diabos e truques visuais, o japonês começava a levar para as telas as histórias assombradas de séculos, vindas do teatro e do folclore. O medo aqui é memória cultural. Eles não são proto-horror por acidente. São horror por herança. Esses filmes deixam algo muito claro: o horror no cinema não nasceu só da imagem grotesca, dos monstros e demônios. Ele também veio da tradição narrativa que o cinema herdou de outras artes e do lendário popular.

Por Marcelo Amado 27 de fevereiro, 2026

<p>Musidora</p>

Estrelas do Cinema Mudo

Musidora

Jeanne Roques, nasceu em 23/02/1889 em Paris, França. Diferente de muitas estrelas da época, Jeanne Roques não veio do nada. Criada em um berço de vanguarda — filha de um compositor e da pintora Marie Clémence — ela já era escritora e pintora antes de ser atriz. Essa bagagem intelectual permitiu que ela transitasse entre o cabaré e a elite literária de Paris com a mesma fluidez.

Por Marcelo Amado 26 de fevereiro, 2026

<i>Der blaue Diamant</i> (1910)

Maratona Silenciosa
Der blaue Diamant (1910)

A produção é baseada na obra de Maurice LeBlanc, que na verdade se chama Arsène Lupin contra Herlock Sholmes (isso mesmo, você leu certo... Herlock Sholmes). Aliás, Arthur Conan Doyle não aceitou muito bem a piada. Ficou furioso por ver seu famoso personagem sendo ridicularizado ─ segundo ele ─ no livro de LeBlanc.

Por Marcelo Amado 23 de fevereiro, 2026

<i>Docteur Phantom</i> (1910)

Maratona Silenciosa
Docteur Phantom (1910)

Há muito pouco ─ para não dizer quase nada ─ de informações disponíveis a respeito da série, mas há menções de que tenha sido mais uma a pegar carona no sucesso de Nick Carter, e sob o comando do mesmo diretor. Não há informações nem mesmo na Cinematheque Française, que tem o maior acervo de informações sobre filmes dessa época. Apenas a lista de episódios e poucos detalhes técnicos são encontrados

Por Marcelo Amado 16 de fevereiro, 2026

<p><i>Shinin no Sosei </i>e <i>Bake Jizō</i> (1898)</p>

Os Primórdios do Horror

Shinin no Sosei e Bake Jizō (1898)

Quando o cinema ainda buscava suas primeiras formas narrativas, o contato com a morte, o sobrenatural e o grotesco surgiu quase de imediato. Corpos que se movem após o fim, objetos religiosos que desafiam sua função simbólica, figuras familiares transformadas em ameaça — tudo isso já aparecia nas telas nos anos finais do século XIX. 

Por Marcelo Amado 13 de fevereiro, 2026

<p>Pola Negri</p>

Estrelas do Cinema Mudo

Pola Negri

Pola Negri, nascida Apolonia Chałupiec em Lipno, Polônia, em 3 de janeiro de 1897, foi a tradução da sofisticação europeia no cinema mudo. Diferente das estrelas fabricadas pelos estúdios, ela chegou aos Estados Unidos com uma bagagem artística sólida, formada pela disciplina rigorosa do ballet clássico e do teatro polonês. 

Por Marcelo Amado 12 de fevereiro, 2026

<i>Lieutenant Rose</i> (1910)

Maratona Silenciosa
Lieutenant Rose (1910)

A série foi encomendada em 1910 pela Clarendon Film Company para capitalizar a crescente popularidade das narrativas de aventuras navais, impulsionada pelo fervor patriótico pré-Primeira Guerra Mundial e pelos temores contemporâneos de espionagem na Grã-Bretanha, com inspiração extraída de romances baratos que retratavam espionagem imperial e heroísmo.

Por Marcelo Amado 09 de fevereiro, 2026

<p>Asta Nielsen</p>

Estrelas do Cinema Mudo

Asta Nielsen

Se hoje estamos acostumados com atuações sutis, onde um olhar diz mais que mil palavras, devemos agradecer a uma dinamarquesa de olhos magnéticos e rosto expressivo chamada Asta Nielsen. Antes dela, o cinema era basicamente teatro filmado, com gestos exagerados e braços ao vento. Asta chegou e mudou o jogo, tornando-se a primeira estrela verdadeiramente global e ganhando o apelido carinhoso de Die Asta.

Por Marcelo Amado 05 de fevereiro, 2026

<i>Meskal le contrebandier </i> e <i>Le vautour de la siria </i>(1909)

Maratona Silenciosa
Meskal le contrebandier e Le vautour de la siria (1909)

Vale destacar  a série baseada nos livros de Georges Clavigny e a participação de Joë Hamman, ator, diretor e ilustrador, considerado um dos pioneiros do western francês, ao lado do já citado Victorin-Hippolyte Jasset com sua a produção de Riffle Bill, le roi de la prairie (1908), que já vimos por aqui.

Por Marcelo Amado 02 de fevereiro, 2026

<p>Introdução: antes dos monstros, o assombro</p>

Os Primórdios do Horror

Introdução: antes dos monstros, o assombro

O horror no cinema não nasceu com vampiros consagrados ou criaturas de borracha maquiadas. Ele veio antes disso — cru, experimental, muitas vezes disfarçado de curiosidade, brincadeira visual ou simples truque de feira.

Nos primeiros anos do cinema, o medo não era um gênero. Era uma curiosidade... ou um efeito colateral.

Por Marcelo Amado 30 de janeiro, 2026

<p>Lillian Gish</p>

Estrelas do Cinema Mudo

Lillian Gish

Conhecida como a "Primeira Dama do Cinema Americano", Lillian Gish foi muito além da atuação, sendo pioneira em técnicas de interpretação e defensora ferrenha da preservação fílmica. Com uma carreira que atravessou sete décadas, desde os épicos de D.W. Griffith até produções modernas, ela consolidou seu legado como uma das figuras mais resilientes e influentes da história da sétima arte.

Por Marcelo Amado 26 de janeiro, 2026