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Dedicatória da primeira edição de ?A História de Brandabadere?

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"Ao povo de Brandabadere, terra abençoada pelas potências celestiais, lar de gente da mais digna espécie e motivo de meu maior orgulho."

 

 

"Seja conhecido por todos, o quanto permitirem, que eu, Anllur-Tel-Yafazir, bibliotecária e historiadora na corte do Rei Yanazak-Yrizox, filha da nobre astrônoma Noramir-Mar-Yafazir, neste dia, nas terras da grandiosa Teralzafur, a sede de nosso reino, no 45º ano após a Batalha de Opar-Iotec e após completar o vigésimo oitavo ano de minha existência, terminei este livro, pela graça das divindades que me são favoráveis, e assim o dedico:

A todos os deuses, espíritos e poderes imateriais, que, por sabedoria, capricho ou descuido permitem a existência deste mundo.

Ao povo de Brandabadere, terra abençoada pelas potências celestiais, lar de gente da mais digna espécie e motivo de meu maior orgulho.

A Ankhir-Toyabin, pai ancestral de nosso povo, que abdicou de uma coroa e de um império,cruzou terras adversas, padeceu sobre tantos males, para aqui se estabelecer e enfrentar inimigos da maior crueldade nos primeiros dias desta nação. A ele devemos nossa origem.

A Yonshanar-Khor-Abur, que organizou nossos exércitos e baniu os invasores do Oeste para longe de nossas fronteiras. Graças a ele sobrevivemos para chegar aos dias atuais.

A Rakhir-Lonshor-Yonat, mulher de maior dignidade e coração, que organizou nossa resistência quando os homens do Oeste impuseram seu governo sobre esta terra, destroçando nosso reino e orgulho. Numa época de medo e sombras, ela nos ensinou a coragem.

A Shiara-Shen-Alor, profetisa amiga dos deuses, que manteve o brilho da esperança na alma de nosso povo. Gentil serva das divindades! Por ti nossa gente manteve o sonho.

A Ixan-Branz-Ulir, que liderou a última batalha nos campos do Monte Fasal-Unir e tombou por flecha traiçoeira, não sem antes ver os malignos Ocidentais serem expulsos de volta ao poente. Seu sacrifício nos permitiu a liberdade.

A Xor-Malak-Unur, que enfrentou as intrigas e ardis de seu mais querido irmão e da mulher que amava e foi obrigado a executar ambos pelo bem e união deste reino, tendo tomado para si mesmo uma coroa que jamais desejou, apenas para governar atormentado por toda uma vida, porém, mais sábio e melhor que qualquer rei de seu tempo. Ninguém foi maior exemplo de nossa tragédia e orgulho.

 A Phor-Uzuk-Malur, o mais sábio entre os sábios, que se tornou rei por sua grande inteligência, cercou-se, protegeu e incentivou os mais cultos entre os homens — doutores da Filosofia, das Leis e Religião — e forjou uma era iluminada pelo saber. Seus esforços trouxeram proeminência ao nosso reino e grande progresso para o mundo civilizado.

A Meloqui-an-Anzur, que se voltou contra seu pai, o rei tirano Zephir-Ur-Anzur e libertou o reino da servidão. A este príncipe devemos nossa nobreza.

E a todos, lembrados ou não,que, de algum modo, colaboraram ou ainda colaboram para a existência e boaventura desta terra.

Que os deuses os abençoem e a mim sempre concedam humildade, esperança e sabedoria.

 

Anllur-Tel-Yafazir"

 

Texto: Rita Maria Felix da Silva

Dedicado a Márcia Silver

 

 

Comentários  

 
0 #1 fatyVisitante 29-06-2006 21:39
Muito bonito e poetico...parece que me estou a repetir,mas na verdade a sua escrita esta' impregnada de poesia...
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0 #2 Rita 02-07-2006 13:29
Faty,
Muito obrigada.
"Brandabadere" é um texto bem experimental. Fico contente que os leitores estejam gostando.
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0 #3 MiguelVisitante 07-07-2006 21:41
Tem algo muito diferente nessa história: em seu aspecto formal é a dedicatória a um livro e não recordo outro conto nessa fórmula. Acrescenta em originalidade.
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0 #4 Rita 08-07-2006 18:54
Miguel,

Obrigada. Justamente por ser um texto experimental, busquei uma forma diferente de contá-lo.
Rita.
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